Conhece aqui as acções da JSD Monchique. A força de uma juventude diferente, com a coragem de lutar e viver por inteiro as ideias em que acredita.

quarta-feira, dezembro 18, 2002

Cartas ao Pai Tutal

COMUNICADO

Na sequência de anteriores iniciativas, nomeadamente a “Agenda Cultural de Monchique” (Páginas em branco criticando a ausência de uma política Cultural no Concelho), a JSD – Monchique vem uma vez mais denunciar a gestão autárquica do concelho, que não é a mais correcta para o são desenvolvimento do mesmo.
Como forma de incentivar uma maior participação cívica da população, sobretudo neste Natal, a Jota decidiu apelar a essa mesma participação com uma publicação intitulada “CARTAS AO PAI TUTAL”. Através dela, dá a conhecer cartas escritas por crianças, que servem de mote para que cada cidadão monchiquense seja também levado a escrever a sua própria carta ao “Pai Tutal”, num espaço já previsto para o efeito na publicação. Nesta, ressaltam como prioridades:
- Os problemas ambientais;
- As questões inerentes à habitação social;
- A precariedade da política desportiva;
- A crónica inexistência de postos de trabalho em Monchique;
- O escandaloso favorecimento político, expresso através do recrutamento de funcionários para a Câmara Municipal, a maior entidade empregadora do concelho;
- A inexistência de uma biblioteca pública capaz de responder às reais necessidades dos jovens do concelho;
- A falta de atendimento permanente (24 horas por dia) no Centro de Saúde de Monchique;
- O problema do ordenamento do trânsito na vila de Monchique;
- ... entre outras situações que têm caracterizado (e ridicularizado) a governação do Partido Socialista (há mais de 20 anos à frente dos destinos do concelho); por exemplo, a pavimentação discricionária de caminhos particulares, num autêntico regime de prestação de favores, e a exuberância delapidante do erário público .

A JSD de Monchique, como única organização política de juventude local, sente agora, e mais que nunca, que tem o dever de assumir uma efectiva participação na mudança, ajudando a construir uma alternativa de liderança no concelho.
Estamos conscientes de que os erros de hoje (os erros de 20 anos de imobilismo, irresponsabilidade e inépcia) ameaçam o futuro da nossa geração e das gerações vindouras.
O nosso grande desígnio é combater a hipocrisia dos detentores do poder instalado, o seu autismo, e os arrufos de caciquismo. Assim, não hesitaremos, em momento algum, em denunciar todas as atitudes que põem em causa o futuro da juventude e da população em geral.

Monchique, 18 de Dezembro de 2002
A J.S.D. Monchique



Descrição desta edição da JSD Monchique


A Edição das “Cartas ao Pai Tutal”, é apresentada em formato A6, dobrada em 4 partes, compostas por:

- Capa, ou Folha de rosto;
- Uma zona destacável que contém de um lado, uma carta em branco para as pessoas escreverem, e do outro o formato de um postal, com o endereço do Pai Tutal, Câmara Municipal de Monchique, ... , e o local para colocação do selo.
- Nove cartas de crianças dirigidas ao Pai Tutal;
- No meio das cartas, figuras cómicas de pessoas com papeis, cartas etçª.



Conteúdo das cartas:

1)
Meu bondoso Pai Tutal,

Quero pedir-te que o hospital cá da vila esteja aberto todo o dia, 24 horas por dia, pois se eu ficar doente durante a noite tenho que ir para Portimão. Já viste os riscos que corro, tal como toda a população de Monchique? Eu sei que é difícil entenderes este problema, porque tu não vives cá... Tu é que tens sorte, a viver em Portimão, com um hospital sempre de portas abertas. Sim, que eu já me informei bem sobre aquilo que ainda cheguei a ouvir, que moravas no Polo Norte e conduzias um trenó puxado por renas. Tu moras é em Portimão, e andas de jipe e de carro com motorista. Gosto de ti porque sei que dás presentes. E além disso admiro-te, porque não és nada parvo.

Um abraço (e dá lá um jeito nisso do hospital),

Francisca, 8 anos


2)
Querido Pai Tutal,

Perto da minha casa, passa uma ribeira onde os meus pais brincavam quando eram crianças e onde a minha mãe ainda há meia dúzia de anos lavava a roupa (vá lá que já tem máquina). Agora, a ribeira está muito suja e eu já nem posso brincar com a água, pois está muito escura por causa das suiniculturas.
Por favor, Pai Tutal, faz qualquer coisa para me ajudar, porque eu quero ter água limpinha.

PS: Quanto ao cheiro, já nem digo nada, pois não quero que penses que estou a pedir demais (mas para o ano não te safas); atenção, já vi numa enciclopédia que PS quer dizer Post Scriptum, por isso não comeces já a pensar coisas (não ligo a partidos).

Rita, 10 anos


3)
Querido Pai Tutal,

Neste Natal, gostava de pedir-te que resolvesses um problema que me deixa muito triste: os meus pais vão todos os dias trabalhar para Portimão e eu fico sozinho.
Se tu pudesses criar, ou apoiar a criação de novos postos de trabalho em Monchique, podia ser que assim os meus pais ficassem mais tempo comigo.
Fico à espera, Pai Tutal,

Um abraço forte, do Adérito, 7 anos


4)
Grande amigo Pai Tutal,

Uma tia minha é que está a escrever esta carta; eu só dito, porque ainda não sei escrever lá muito bem (a ler é que já me vou desenrascando).
Uma prima minha está a estudar em Portimão e disse que vai lá à biblioteca muitas vezes, participar em actividades, brincar, ver filmes, ler livros bonitos...
Por favor, Pai Tutal, neste Natal dá-nos uma biblioteca para eu ir lá com os meus amigos, e para os outros meninos de Monchique. Todos os sítios têm uma biblioteca e a minha não.
Obrigado, Pai Tutal,

João, 7 anos



5)
Querido Pai Tutal,

Este ano não quero nada de ti (sei que vou ter montes de prendas da minha família). Escrevo só para agradecer-te por teres arranjado aquele emprego à minha mãezinha. Logo, logo, fiquei confuso, porque ouvi falar num tacho, mas depois compreendi tudo, afinal era um emprego. Um tacho, pensava eu, mas a minha mãe tem tantos na cozinha, e panelas a dar com um pau. Enfim, tudo se esclareceu e, além disso, até aumentei o meu vocabulário.
Quando for grande, também quero um tacho, para me sentir tão feliz como a minha mãezinha.
Joãozinho, (desculpa não pôr aqui a idade, mas a verdade é que não sei ao certo; no infantário, para eu entrar logo, a minha mãezinha disse que eu tinha uma idade, mas nos papéis que estão aqui em casa está outra...)


6)
Pai Tutal

Esta carta, Pai Tutal, talvez seja um bocadinho longa.
Neste Natal, quero dizer-te uma coisa de que talvez não gostes. Sabes?, há muito tempo que estou à espera de que cumpras uma promessa. Tu disseste que ias construir uma casa nova para os meus pais, nos Casais. Mas já me avisaram de que, afinal, vou ficar na minha casa muito velhinha.
Um dia, lembras-te?, quando me deste um saco cheio de coisas, e uns papéis com a tua fotografia, prometeste que os meus pais iam ter uma casa nova.
Estou muito triste contigo, Pai Tutal, porque não é a primeira vez que me fazes uma destas (e ainda só tenho 10 anos, por isso imagina o que dirão os adultos cá do concelho, os idosos, por exemplo...).
Já agora, peço-te, leva aquela fotografia grande da minha casa nova. Sim, aquela que puseste ali no cruzamento. De cada vez que olho para ela, caramba, Pai Tutal, cada vez fico mais triste.
Um beijo, mesmo muito ressentida,

Catarina, 10 anos


7)
Pai Tutal,

Eu jogo futebol no Monchiquense, que é (ou era) o clube cá da terra. Acontece que quando eu for grande já não poderei jogar, pois só há lugar para os que vêm de Portimão, ou de Alvôr.
O que te quero pedir, Pai Tutal, é que dês um castigo àqueles senhores do clube, porque estão a portar-se muito mal. Neste mês, em vez de lhes pagares os ordenados, faz-lhes uma partida e não lhes pagues nada. Pode ser que eles assim fiquem arrependidos de ter mandado os outros meninos de Monchique jogar fora do concelho (de que tu és presidente, conforme julgo que sabes). Pai Tutal, é uma vergonha, casos como o do meu primo e os dos amigos dele, que vão todas as noites treinar para Aljezur. E eles gostavam tanto de jogar aqui, e eu de os ver jogar.

Nuno, 14 anos


8)
Olá Pai Tutal,

Estou a escrever-te para te perguntar uma coisa. Tu prometeste à minha mãe que lhe davas um emprego. Fiquei a saber há dias que arranjaste emprego foi à mãe do meu amigo Joãozinho. Será porque ela andou contigo a oferecer coisas às pessoas aí pelas ruas, durante a campanha eleitoral? Ou será porque tu és o padrinho dela? Sim, porque o meu padrinho também me dá mais coisas do que à minha irmã. Mas a minha irmã fica sempre muito triste, assim como a minha mãe.
Vê lá se ainda dá para fazer alguma coisa este ano.
Adeus.

Carolina, 9 anos


9)
Pai Tutal,

Estou a escrever-te para te dar a minha lista de prendas para este ano. Então aponta aí no teu caderno:
- 1 carro Volvo (daqueles grandes como o teu) para o meu pai; pode ser verde (e resolve o problema do trânsito em Monchique antes de mandares entregar o carro, que é para o meu pai não stressar aí pelas ruas);
- 1 emprego para a minha mãe (sei que é difícil, porque estão muitas pessoas à frente dela, à espera, mas acredito que vais conseguir);
- 1 caixa de wisky para o meu avô (sabes, ele é como tu, também gosta muito de wisky);
- 1 lugar no infantário para o meu irmão mais novo;
- Para mim, queria que mandasses alcatroar a estrada até à minha porta, para eu andar de bicicleta à vontade (para cá, para lá, até me cansar...); ouvi dizer que em Portimão fizeram isso à tua rua, para não dares cabo do carro (põe por isso os olhos no presidente da câmara de lá).
Fico à espera, Pai Tutal.
Um beijinho (e não te esqueças de mim.)

Rute 11 anos

 
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