Conhece aqui as acções da JSD Monchique. A força de uma juventude diferente, com a coragem de lutar e viver por inteiro as ideias em que acredita.

sábado, março 08, 2003

Presidente da Câmara assume incompetência

PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE MONCHIQUE
ASSUME NÃO TER TIDO POLÍTICA CULTURAL NOS ULTIMOS 20 ANOS

Ex.mo Senhor Director

Na sequência da carta do Presidente da Câmara Municipal de Monchique, publicada no número 448 do jornal que V. Exª. dirige, a JSD de Monchique sente-se na obrigação de, uma vez mais, repor a verdade dos factos que o Dr. Carlos Tuta tão bem sabe ocultar.
A vida cultural de Monchique nunca tinha sido tão falada como agora. Durante longos anos, cultura foi uma palavra que nunca se pronunciou e a que nunca foi atribuído o devido valor.
A JSD de Monchique, consciente desta realidade, decidiu chamar a atenção para o facto de a terra em que vivem os seus elementos ser um deserto cultural, quebrado com uma ou outra actividade avulso organizada quer pela Junta de Freguesia de Monchique, quer pelo Grupo de Dinamização Cultural «O Monchiqueiro».
Hoje, passado algum tempo sobre a edição da tão falada «Agenda Cultural de Monchique», pode dizer-se que muito se passou. O executivo socialista, preocupado pela imagem que passou sobre a sua política (???) cultural, decidiu por a sua fértil imaginação a funcionar.
Em primeiro lugar, pôs-se a (des)mentir; disse que era tudo mentira («...neste momento o concelho tem galerias e equipamentos próprios para tal.» - Carlos Tuta, em entrevista ao «Região Sul» – Dezembro de 2002). Será que em Dezembro Monchique já tinha estes equipamentos, ou foi só mais um contorcionismo do senhor presidente?! A quem quis o senhor enganar?.
Depois, como a JSD de Monchique não desistiu da sua causa, o executivo socialista decidiu publicar um calendário com a frase: «Monchique Com Vida Cultural», ilustrado com imagens que iludem, que tentam mostrar uma realidade que não existe. Como sempre, a JSD de Monchique reagiu denunciando mais esta descarada mentira do Dr. Carlos Tuta, que quer mostrar uma realidade que só existe na sua retorcida imaginação?
Agora, o Dr. Carlos Tuta reage «indignado» e vem «esclarecer os leitores sobre a realidade cultural do município e da vila de Monchique». Apraz-nos relembrar que o Dr. Carlos Tuta não faz mais do que «RECONHECER QUE NÃO TEVE POLÍTICA CULTURAL NOS ÚLTIMOS VINTE ANOS». Dr. Carlos Tuta que adianta ainda que neste ano a cultura ira assumir um papel importante, que depois das acessibilidades (quais?; a Portimão?!; a entrada e saída da vila?!), dos equipamentos desportivos (quais?; o polidesportivo do Alferce, onde das bancadas não se consegue ver o campo?!; ou a piscina de banhos que por dois metros não é semi-olímpica?!), etc., a cultura ira ser a sua prioridade.
A JSD de Monchique congratula-se por esta mudança de mentalidade, ou pelo menos de discurso, do executivo socialista e vem felicitá-lo pela atrasada, mas concerteza acertada, decisão. A nós não nos incomoda nada, senhor presidente, a não ser a hipocrisia e os malabarismos políticos a que o senhor nos habituou. As obras que o senhor irá concretizar serão certamente uma mais valia para o concelho, e nós estaremos lá para felicitá-lo por isso. O que nos interessa não são os votos, mas sim o bem-estar de todos os habitantes de Monchique.
Dr. Carlos Tuta, o senhor parece nem desconfiar disso, mas a cultura não é como uma empreitada que o senhor dá aos seus amigos para fazerem e depois passa o cheque!; cultura é mais do que isso. Muito mais! A maior riqueza cultural de Monchique são as pessoas, e essas o senhor tem maltratado, tem habituado a favores, a promessas de emprego, tem iludido com mentiras. Não se deixam passar vinte anos sem nada fazer e depois, da noite para o dia, ter o descaramento de o vir dizer.
Dr. Carlos Tuta, queremos que saiba que não é construindo uma biblioteca temporária, nem uma mini-galeria que este será o seu ano de consagração cultural. Mas o senhor, depois da incompetência ao longo dos vinte anos da sua ditadura acha que ainda tem consagração possível, seja em que área for? No caso da cultura, a galeria que o senhor irá inaugurar este ano, segundo prometeu, não tem condições, nem tamanho para os fins que evoca. Saiba que, apesar de o seu gabinete, quase do mesmo tamanho da galeria dos seus sonhos, servir para inúmeros acontecimentos, eventos e festas, o público de uma galeria é muito diferente; estamos a comparar um ou dois empreiteiros e um gabinete de engenheiros com a população de Monchique, ansiosa por eventos culturais.
Fala o Dr. Carlos Tuta também do Património. Mas o senhor conhece o património do concelho de que, relembramos-lhe, é presidente, mesmo morando fora? Se não conhece, tem desculpa. Mas acreditando que conhece, então o que diz ao convento que promete recuperar há vinte anos (já reparou como a sua imagem está a ficar associada a isto dos vinte anos?) e que agora vem dizer que «este ano é que é», quando AINDA NEM O COMPROU? Ou antes, a câmara ainda não o comprou, mas isto são efeitos do hábito que o senhor tem, «o meu concelho» e «faço isto» e «faço...», como se Monchique fosse a sua quinta privativa (relembramos-lhe que não é), O que diz do castelo do Alferce? O que diz da tradicional chaminé-de-saia (elemento arquitectónico que o seu executivo teima em não preservar)? O que diz da calçada romana que mandou tapar com alcatrão? (se os romanos o tivessem conhecido, o que é que não diriam de si!...) O que diz de outras tantas coisas que lhe passam despercebidas nas suas aceleradas viagens de jipe na estrada de Portimão? Tenha vergonha, senhor presidente!
A acreditar que este será o «ano cultural», cumpre à JSD de Monchique informá-lo, Dr. Carlos Tuta, que já passaram dois meses e que aguardamos com expectativa o início da prometida «vida Cultural». A propósito, sabe o senhor (e os seus vereadores socialistas) que no passado dia 4 de Março foi lançado um livro intitulado «O Concelho de Monchique e as Suas Armas Municipais», uma edição da JFM e da CIMM, sem que ninguém do executivo tivesse estado presente? Está a começar mal o seu ano cultural, senhor presidente! Já agora, se conhece o paradeiro do responsável pela cultura no Algarve, fale com ele, peça-lhe conselhos, mas não siga os seus passos. Faça o que ele diz, não o que ele (não) faz.
Questionamos os leitores se a cultura seria agora a prioridade do Dr. Carlos Tuta, se a JSD de Monchique não tivesse publicado a «Agenda Cultural», como forma de exigir o preenchimento das suas páginas em branco com actividades culturais.
Este «andar a reboque» das propostas e das sugestões quer da JSD de Monchique, quer do PSD de Monchique, já se nota em diversos sectores. As propostas recusadas pelo executivo socialista acabam mais tarde por ser propostas por eles. Para o PSD, quem ganha são as pessoas, e esta luta política só tem sentido se assim for.
Acreditamos que a caminhar assim, dentro de dois anos, não há razão para o Dr. Carlos Tuta continuar a frente dos destinos de Monchique, mas sim o PSD, que já marca o caminho e o passo que o concelho tem de seguir.
E uma pergunta final. Onde estaria agora o concelho de Monchique, em termos de desenvolvimento aos mais diversos níveis (económico, social, cultural, ...), se não tivesse tido a pouca sorte de lhe ter calhado nestes últimos vinte anos à sua frente o Dr. Carlos Tuta, com a sua gestão (???) incompetente, desprovida de visão, mesquinha e assente em jogos de poder e interesses particulares? Uma gestão invariavelmente condimentada com berros e arrufos de ditador completamente deslocados dos tempos de democracia que felizmente se vivem em Portugal.

Monchique, 8 de Março de 2003
A JSD Monchique

 
Site Meter